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Time transforma campo em heliponto e se estrutura para ajudar Brumadinho

Futebol ficou de lado, e campo virou heliponto; helicópteros ajudam no trabalho - Marcelo Prates/Futura Press/Estadão Conteúdo
Futebol ficou de lado, e campo virou heliponto; helicópteros ajudam no trabalho Imagem: Marcelo Prates/Futura Press/Estadão Conteúdo

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

30/01/2019 04h00

A Rua Itaguá, na altura do número 1.000, enfrenta a dura realidade de uma das maiores tragédias da história do Brasil. O endereço recebe os jogos do Brumadinho Futebol Clube, mas desde a última sexta-feira (25) se transformou em uma base de apoio. O gramado virou um heliponto, enquanto a quadra poliesportiva do município concentra doações. Tudo para ajudar na busca pelos mais de 200 desaparecidos após o rompimento da barragem da Vale e a enxurrada de lama e rejeitos da mineradora que atingiu a cidade.

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Ao invés da bola, o campo do time amador vira pista de pouso. O espaço cedido pelo clube se tornou um dos pontos para facilitar o transporte de equipamentos e profissionais que atuam na busca das vítimas. O trabalho de quem cuida do Brumadinho FC agora se concentra em dar solidariedade às famílias das vítimas, bombeiros e voluntários envolvidos na operação - até o fechamento desta matéria, o número de mortos ultrapassava 80.

"Temos este grande espaço e temos recebido muita gente nestas idas e vindas. Graças a Deus o campo não foi atingido e permite esta ajuda. É muito triste, mas estamos nesta para ajudar cada vez mais. Estamos inteiramente à disposição", afirmou o Roberto Márcio, 46 anos, presidente do Brumadinho FC há cinco meses.

A ajuda do clube fundado em 1929 é pessoal. O próprio dirigente, com a voz embargada na conversa pelo telefone com a reportagem, revelou o desaparecimento de um atleta na tragédia.

Robert Ruan Oliveira Teodoro, 19 anos, atua pelo juvenil da equipe, que disputa competições de base em Minas Gerais, e divide a paixão pelo esporte com o trabalho para a Vale por intermédio de uma empresa terceirizada.

Reprodução
Imagem: Reprodução

"Ainda não acharam ele, ainda não...É o Robert, era do nosso juniores. É muito triste, muito triste", lamenta o presidente do Brumadinho, que soube do rompimento da barragem em um momento sensível para ele e a própria família.

"Estava no velório da minha prima, aí aconteceu esta tragédia. Agora a gente só quer ajudar, vamos levando, vamos levando. Como falei, estamos à disposição do que quiserem. Pessoal tem sido muito solidário, é torcer", complementou o dirigente e hoje voluntário na busca pelos desaparecidos.

Além do campo, a estrutura utilizada pelo Brumadinho tem uma quadra poliesportiva, localizada próximo de onde o time amador e as categorias de base disputam seus jogos. Este espaço coberto serve como base para doações, que são "muitas" segundo Roberto Márcio.

Bombeiros trabalham há quase uma semana na busca dos mais de 200 desaparecidos - Washington Alves/Reuters
Bombeiros trabalham há quase uma semana na busca dos mais de 200 desaparecidos
Imagem: Washington Alves/Reuters

O último jogo da equipe adulta de Brumadinho ocorreu no início do mês, válido pela Copa Itatiaia de futebol amador.

Entre os jovens, as categorias sub-12, sub-14 e sub-16 disputam a 5ª Copa de Futebol do Alto Paranaíba, torneio que reúne os meninos na cidade de São Gotardo, localizada a quatro horas de distância do município vitimado pelo rompimento da barragem. É inevitável não encontrar os pequenos atletas com a cabeça em Brumadinho e em tudo o que envolve a tragédia.

"Olha, tivemos as notícias um dia depois que chegamos. No início foi bem complicado. Ligamos para os pais e fomos entendendo a situação; na verdade, não sabemos muita coisa, porque ainda não voltamos para a cidade. Mas, por exemplo, um atleta nosso perdeu um primo e outros dois perderam um tio", contou Wandercley Eller, 38 anos, coordenador da base e que acompanha os meninos no torneio.

Três destes adolescentes, dois deles irmãos gêmeos, perderam parentes. Enquanto o clube que eles representam se movimenta para ajudar na cidade, os meninos sustentam a tradição quase nonagenária do Brumadinho em campo. O trio permaneceu ao lado dos amigos, rezou pelas vítimas em uma igreja de São Gotardo e se orgulha do legado deixado por um time que tem se mostrado mais do que apenas um clube de futebol.

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