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Brumadinho: desaparecido dividia futebol com a Vale e fez teste no Galo

Robert fez teste no Atlético-MG e ganhou uma chance para se mostrar no Fla - Arquivo Pessoal
Robert fez teste no Atlético-MG e ganhou uma chance para se mostrar no Fla Imagem: Arquivo Pessoal

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/01/2019 04h00

O relógio marcava 7h30 (de Brasília) quando o casal Robert e Priscila trocou mensagem pelo Whatsapp na sexta-feira (25). Ele, jogador de futebol do time amador Brumadinho FC, se encaminhava para a recente rotina de trabalho como funcionário terceirizado da Vale, enquanto ela desejava mais um bom dia ao namorado. O rompimento da barragem da empresa separou até o momento o casal. Ela nutre esperanças pelo reencontro, enquanto ele segue na lista dos mais de 200 desaparecidos da tragédia na cidade mineira.

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Robert Rua Oliveira Teodoro, 19 anos, nutriu desde a infância um futuro com a bola nos pés. O amor pelo futebol era compartilhado com o irmão gêmeo, assassinado há pouco mais de três meses. Desde os oito anos, brincava com o sonho de ser jogador profissional, Ele chegou a realizar testes em alguns clubes e se imaginou vivendo o sonho de uma carreira de sucesso como as de Romário, Ronaldo ou Neymar, por exemplo.

"É um apaixonado por futebol. Sempre foi uma pessoa muito paciente e carinhosa com todo mundo. É o tipo de pessoa que não tinha inimigo, conquistava todos com a sua alegria. Ele faz amizades muito facilmente e não tinha vergonha de ajudar ninguém. Simplesmente tudo isso foi levado por lama abaixo", contou Priscila, a namorada, em conversa com o UOL Esporte.

Priscila e Robert estavam juntos há três meses e curtiam o início da relação - Arquivo Pessoal
Priscila e Robert estavam juntos há três meses e curtiam o início da relação
Imagem: Arquivo Pessoal

Priscila e Robert estão juntos há três meses, período em que a garota de 19 anos dividia o namorado com o esporte mais popular do país. O jovem desde o ano passado prestava serviço para a Vale, mas não deixava de representar o Brumadinho FC. Quem conta mais sobre esta relação do menino com a bola é a irmã, Rute Miriam Oliveira Silva, 22 anos.

"Ele [Robert] sonhava em ser jogador de futebol. Desde pequeno jogava, com uns oito anos já chutava a bola com o irmão. Era bom e fez testes no Atlético-MG. Robert também foi chamado para ir ao Flamengo também, mas o técnico dele na época aqui não deixou ele ir fazer", relembra a irmã, que tem na cabeça também a última conversa com o irmão.

"Chamei ele para jantar na quinta e comemos com a minha mãe. Terminei e disse simplesmente um 'tchau, Robert'", recorda-se a irmã mais velha do rapaz desaparecido em meio à lama e rejeitos da mineradora que cobriu uma extensa área da cidade de Brumadinho.

"Não" no Atlético-MG

Robert era um atleta amador. Trabalhava durante a semana e geralmente aos domingos representava o Brumadinho nos jogos locais. Estava afastado por lesão, segundo a namorada, mas quando era possível mantinha a rotina de dividir um campo de futebol com outros 21 rapazes na cidade mineira.

Nem mesmo as frustações com o sonho do profissionalismo afastaram-no do esporte. Se no Flamengo, qualquer chance de teste terminou após veto de um treinador local que Rute, a irmã, prefere deixar a identidade anônima, no Atlético-MG o não veio do próprio clube durante uma "peneira".

"Ele sempre foi louco por futebol. Não desanimava. Aqui em Brumadinho jogou em vários times. Às vezes ele focava mais no futebol e esquecia da escola, mas a gente sempre lembrava e, no fim, ficava tudo tranquilo", comentou Rute, que seguia os passos da mãe Iolanda para manter Robert na linha, mostrando que o futebol não podia tirar a atenção dos livros e apostilas até os tempos mais recentes de escola.

Esperança

Aliança que Robert e Priscila trocaram uma semana antes da tragédia em Brumadinho - Arquivo Pessoal
Aliança que Robert e Priscila trocaram uma semana antes da tragédia em Brumadinho
Imagem: Arquivo Pessoal

Priscila está desesperada atrás do namorado. Pedidos nas redes sociais e consultas no site disponibilizado pela Vale para tratar dos desaparecidos são constantes; a esperança ainda existe.

A jovem confia em um milagre para poder curtir mais o presente simbólico recebido há uma semana, quando completou aniversário.

"Fiz 19 anos semana passada e foi o dia que ele me deu esta aliança de compromisso. Só deu para ele usar por uma semana...", lamenta a namorada, ainda de olho no celular na expectativa de receber uma nova mensagem no Whatsapp de Robert. Sinal de que nada estaria perdido, levado por lama abaixo.

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